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quarta-feira, 9 de março de 2016

Adeus, até sempre!


Hoje é o último dia de Cavaco Silva como Presidente da República. Sendo costume todos os presidentes deixarem um quadro com o seu retrato no Palácio de Belém, revelamos hoje, em primeira mão, o quadro que imortalizará Cavaco Silva na galeria dos ex-presidentes. A obra foi encomendada ao pintor israelita, de origem bielorrussa, Leonid Afremov.

sexta-feira, 4 de março de 2016

O pior momento


Cavaco Silva deixa a Presidência da República no próxima dia 9 de Março. E deixa-a com a popularidade tão em baixa que, daqui a alguns anos, só com algum esforço de memória é que os portugueses se lembrarão que um dia tiveram um Presidente chamado Cavaco. Dito isto, qual terá sido o pior momento dos seus dois inenarráveis mandatos presidenciais? A escolha é difícil, tantas foram as ocasiões perdidas por Cavaco para estar calado, mas, na minha opinião, talvez tenha sido a lamúria pública que fez acerca de não saber se, uma vez terminado o mandato presidencial, a sua reforma lhe permitirá levar uma vida condigna.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Novidades, nem no Continente!


No último discurso de Ano Novo dirigido ao país por Cavaco Silva na qualidade de Presidente da República, apenas uma novidade: O facto de ter sido o último. Quanto ao resto, o grande chefe Orelhas Moucas limitou-se aos avisos ("O tempo é de incerteza") e aos apelos ("Portugal tem o dever de acolher aqueles que nos procuram para se integrarem na nossa sociedade") generalistas do costume. "Temos o dever de defender o modelo político, económico e social que, ao longo de décadas, nos trouxe paz, desenvolvimento e justiça", afirmou Cavaco Silva a determinada altura do seu discurso. Não sei a que justiça é que ele se referia, tendo em conta o que tem acontecido, por exemplo, na banca portuguesa. Os lucros são distribuídos pelos accionistas, os prejuízos pelos contribuintes! Mas a grande ironia que fica para a História é que os 10 anos da presidência de Cavaco Silva coincidiram com a decadência, o endividamento, o pedido de assistência internacional, a estagnação, o desemprego e a emigração.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Facturas por pagar I


"Observando a Zona Euro, verificamos que a governação ideológica pode durar algum tempo, faz os seus estragos na economia, deixa facturas por pagar, mas acaba sempre por ser derrotada pela realidade" (Cavaco Silva, 22/12/2015). Tendo em conta quem proferiu tais palavras, o Presidente da República Portuguesa, o qual, como tem repetidamente afirmado, mede cuidadosamente o alcance de tudo quanto diz, é caso para dizer que temos andado, todos, redondamente enganados. Em Portugal quem governou nos últimos quatro anos foi a esquerda. Com a treta da saída limpa, os problemas foram arrastados e as facturas (deixadas por pagar) estão a aparecer. A do Banif aí está. A do BES há-de chegar. E sabe-se lá o que o futuro ainda reservará aos contribuintes portugueses!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Boa oportunidade para estar calado


Uma das exigências (públicas) que Cavaco Silva fez a António Costa foi a garantia da estabilidade do sistema financeiro, o que, agora que estourou a barraca do BANIF, parece indiciar que ele estava ao corrente da situação do banco. O governo anterior teve três anos para resolver o problema do BANIF, mas preferiu "enterrar" 1.100 milhões de euros dos contribuintes e empurrar o problema "com a barriga". O curioso de toda esta situação é Cavaco só se ter lembrado de exigir estabilidade financeira ao governo actual e não ao anterior, a quem tinha dado posse uns dias antes. Se isto não é vestir a camisola (do partido), não sei o que isso é. Mais uma boa oportunidade perdida para estar calado!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Pólvora seca


O discurso do Presidente da República no acto de tomada de posse do XXI Governo Constitucional, em que deixou implícita a hipótese de demissão do Governo, não passou de uma bravata inconsequente de alguém que, tendo afirmado ter tudo previsto, se viu obrigado a viabilizar uma solução que nunca considerara nem nos seus piores pesadelos. Com a revisão constitucional de 1982, desapareceu a responsabilidade política do Governo perante o Presidente o que significa que a avaliação do mandato do Governo passa mais pelo Parlamento do que por Belém. Só em caso de bloqueio absoluto do regular funcionamento das instituições é que o Presidente poderá, legitimamente, demitir o Governo, o que, diga-se, não parece perspectivar-se tanto mais que António Costa, ao que parece, vai limitar a interacção com o Presidente ao estritamente necessário.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Vontadinha,... nenhuma!


É por demais evidente que Cavaco Silva não tem vontade nenhuma de resolver a crise política instalada com a queda do XX Governo Constitucional (leia-se, resolver a crise política com a actual composição da Assembleia da República). Por muito menos fechou-se em Belém no passado dia 5 de Outubro para reflectir acerca dos resultados das eleições do dia anterior, faltando às comemorações da implantação da República. Daí ter ido para a Madeira. O que seria desnecessário era fazer os comentários que fez. “Eu estive cinco meses em gestão, eu como primeiro-ministro de um Governo, estive cinco meses em gestão”, afirmou Cavaco aos jornalistas. Questionado se não considera urgente que decida sobre a crise política, o chefe de Estado recomendou que se verifique o que aconteceu em casos anteriores: “Vá ver nos dois casos de crises anteriores que aconteceram, um foi em 1987 e um em 2009 (sic), quantos dias esteve o Governo em gestão, o que é que fez o Presidente da República de então e quais foram as medidas importantes que esse Governo de gestão teve que tomar”, respondeu Cavaco.

PS- Já agora, não foi 2009, mas sim 2004 e o governo em causa era o do PSD/CDS-PP liderado por Pedro Santana Lopes.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Só por cima do meu cadáver

Em bom rigor ninguém sabe o que irá fazer Cavaco Silva após o, mais do que provável, derrube do governo de Passos Coelho. Alguns analistas defendem que, caso Cavaco se mantenha coerente com o que disse, deixará Passos Coelho a chefiar um governo de gestão e... quem vier a seguir que feche a porta! Marcelo Rebelo de Sousa já veio a terreno demarcar-se desta não solução, defendendo que o Presidente deve encontrar uma, mesmo que para tal tenha de engolir uma manada de elefantes. Por seu turno, Sampaio da Nóvoa já disse que, entre uma maioria de esquerda e uma minoria de direita, não hesitaria em convidar Costa a formar governo. O crispado discurso de Cavaco Silva à nação teve o condão de incendiar os ânimos e de fechar todas as portas de um possível entendimento ao centro. Espera-se que, tendo aproveitado a viagem a Itália, Cavaco Silva tenha pedido uma audiência ao Papa e tenha ouvido com atenção, e humildade, o que o Papa teve para lhe dizer. Entretanto, mais logo, o novo governo de Passos Coelho será empossado pelo Presidente da República. Afinal o governo de pesos-pesados que estava prometido não passa de um governo recauchutado, numa clara demostração que nem eles próprios acreditam na viabilidade do governo que encarnam.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O milagre de Cavaco Silva


António Costa estava com algumas dificuldades internas para fazer passar um eventual acordo de governo com o PCP e o BE. Estava, já não está. Cavaco Silva, na mensagem ao país em que comunicou ter convidado Passos Coelho para formar governo, teve o condão de unir o PS em particular, e a esquerda em geral. O primeiro sinal está dado. Ferro Rodrigues foi eleito presidente da Assembleia da República. Para além disso, a Comissão Política do PS aprovou uma moção de rejeição ao governo (quando ele for apresentar o seu programa ao Parlamento) e mandatou Costa para prosseguir conversações à esquerda. Aparentemente, a comunicação de Cavaco teve o efeito exactamente contrário ao pretendido. Pacificou e uniu o PS em torno do seu líder e uniu a esquerda como nunca se tinha visto. O discurso da diabolização do PCP e do BE e o apelo à rebelião dos deputados do PS ficará, certamente, como o momento mais baixo do seu segundo mandato como Presidente da República, mandato esse que, diga-se em abono da verdade, não ficará na memória de ninguém, tantos e tão disparatados foram os episódios protagonizados por Cavaco Silva.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Crónica de uma morte anunciada


Apesar de a coligação estar em minoria no Parlamento, Cavaco Silva convidou Passos Coelho para formar governo, argumentando que a solução alternativa de esquerda, que não lhe apresentou garantias nenhumas de estabilidade, coerência ou consistência, seria, a todos os títulos, muito mais gravosa para o país. Caso António Costa consiga fazer acordos com o BE e com o PCP, as cenas do próximo capítulo são fáceis de adivinhar. No dia em que Passos Coelho e o seu governo se apresentarem na Assembleia da República (AR), o governo cai. Como a AR não pode ser dissolvida antes do próximo dia 4 de Abril, não restará outra alternativa a Cavaco senão convidar António Costa a formar governo (isto digo eu, porque, das palavras de Cavaco, não resulta claro que seja esse o seu pensamento). Um conselho aos ministros de Passos Coelho. Não se despeçam, metam 15 dias de férias, pois o risco de integrarem o governo mais curto da história da democracia portuguesa é muito elevado. Para terminar, António Costa tem mais alguns dias para meter o Rossio na Betesga. Como o acordo com o BE parece estar fechado, restam as reticências do PCP, o qual, a partir de agora, fica pressiondo para se entender com o PS e o BE. António Costa já disse para não contarem com o PS para derrubar um governo de direita sem que esteja construída uma alternativa maioritária de esquerda. Como o PCP, não quererá ficar com o ónus de ter viabilizado um governo de direita (por não se ter entendido à esquerda), não lhe restará alternativa senão entender-se com o PS. Agora sim, para terminar, o apelo de Cavaco à consciência dos deputados (leia-se, rebelião da bancada parlamentar do PS) é ridículo, hipócrita e soa completamente a falso. Quando ele era presidente do PSD e primeiro-ministro de Portugal, os deputados laranja assinavam uma renúncia ao mandato aquando da elaboração das listas para o caso de começarem a pensar pela própria cabeça!

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Dúvidas presidenciais


Ainda há poucas horas, Cavaco Silva, independentemente dos resultados das eleições do próximo dia 4 de Outubro, já sabia o que iria fazer. Agora precisa de reflectir e, ao que parece, reservou o dia 5 de Outubro para essa reflexão, motivo pelo qual não comparecerá às comemorações da implantação da República. Será a primeira vez que um presidente da dita (república) não comemorará a sua implantação. Quando Cavaco marcou as eleições já sabia que a seguir ao dia 4 de Outubro viria o dia 5 de Outubro e que, salvo um quarto milagre de Fátima, ninguém ganharia com maioria absoluta. É caso para dizer o que ele, Cavaco Silva, enquanto primeiro-ministro, disse, há 21 anos, acerca do então presidente, Mário Soares: "Vamos ajudar o Senhor Presidente da República a terminar o seu último mandato com dignidade".

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Fugir a boca para a verdade


Cavaco Silva marcou as eleições legislativas para o próximo dia 4 de Outubro. Com excepção dos partidos da coligação governamental e (eventualmente) do PS, nenhum outro partido terá gostado do discurso presidencial. Com efeito, Cavaco Silva, desta vez, foi um pouco mais longe do que o tradicional apelo ao voto. Desta vez apelou ao voto útil, exigindo um governo "maioritário e consistente",  a exemplo do que acontece um pouco por essa Europa fora. Tantas foram as menções aos países com governos de coligação de dois (ou mais) partidos, que só lhe faltou fugir a boca para a verdade: No dia 4 de Outubro vamos votar, maioritariamente, na coligação PSD-CDS.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Igual ao litro


Questionado sobre uma eventual saída da Grécia da zona euro, Cavaco Silva respondeu sai um, ficam dezoito, como quem diz, isso é igual ao litro. Para o homem que mede o alcance de qualquer palavra ao milímetro e que afirma que um presidente tem de ter especial cuidado com tudo quanto diz, a resposta foi espantosa. Enfim, mais uma excelente ocasião (perdida) para estar calado!

sábado, 27 de junho de 2015

Memórias


Numa conversa com jornalistas na última visita que fez à Noruega, Cavaco Silva afirmou que só escreverá as suas memórias depois do dia 9 de Março de 2016, isto é, quando deixar a Presidência. Contudo, uma tal afirmação não corresponde inteiramente à verdade. Com o título de "Memórias" e o subtítulo "O que me esqueci de dizer em tudo o que disse", Cavaco Silva, consciente de que o espera uma tarefa hercúlea, um volume com centenas de páginas, já começou a passar para o papel algumas (das muitas) coisas que deveria ter dito e não disse ao longo dos seus dois mandatos na Presidência da República.

sábado, 6 de junho de 2015

Tocas bem mas não me alegras!


A propósito da escolha do próximo governador do Banco de Portugal, Cavaco Silva, desta vez, de forma muito conveniente (para o governo), "esqueceu-se" de apelar a um amplo compromisso entre as principais forças políticas. Ao contrário do que tem sido habitual, perdeu uma excelente oportunidade de abrir a boca. Relembrando, o governo decidiu reconduzir Carlos Costa num novo mandato como governador do Banco de Portugal (obrigando a bancada parlamentar da maioria a engolir uma manada de elefantes) e disso mesmo informou António Costa. O PS não gostou e fala em escolha "mais partidária de sempre", o que é um completo disparate. Aquando do primeiro mandato, Carlos Costa foi escolhido pelo PS e, tanto quanto se saiba, ele era (e continua a ser) um independente.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Prova de vida


Cavaco Silva, de tempos a tempos, faz questão em fazer prova de vida. A última é que dará posse a um governo minoritário desde que com apoio no Parlamento. Isto é uma evolução significativa para quem, inicialmente, deixou transparecer que nunca daria posse a um governo minoritário. Agora só lhe resta dar o último passo. Como Cavaco ignorou as dezenas de vozes de todos os quadrantes políticos que defenderam a antecipação das eleições para Junho, em Outubro, sem espaço de manobra, Cavaco não terá alternativa senão dar posse a um governo minoritário (com ou sem apoio parlamentar) ou prolongar por mais uns meses a vida do actual governo. Entendimentos com os actuais líderes partidários, só em sonhos. Para que isso, eventualmente, possa vir a acontecer, só esperando que os futuros derrotados resolvam as crises internas que inevitavelmente se desencadearão nos respectivos partidos. Um governo estável, que Cavaco gostaria de deixar como legado, não passa de uma miragem. A menos que, à semelhança do que aconteceu recentemente no Reino Unido, todas as sondagens estejam erradas, espera-nos uma Assembleia da República fragmentada como nunca.