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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Caridade alemã


A Alemanha "beneficiou claramente com a crise grega", em mais de 100 mil milhões de euros, segundo um estudo divulgado recentemente pelo Instituto de Investigação Económica Leibniz (Universidade de Munique). O instituto alemão considerou que aquele valor representa a poupança garantida pela Alemanha através de baixas taxas de juro sobre as suas obrigações, resultantes da atracção da sua economia sobre investidores assustados com a instabilidade grega. Quando os investidores enfrentam dificuldades, procuram tipicamente um mercado seguro para o seu dinheiro, e a sólida economia alemã "beneficiou desproporcionalmente" desse facto durante a crise da dívida na Grécia, lê-se no estudo, acrescentando que as poupanças "excedem os custos da crise, mesmo se a Grécia não pagasse todas as suas dívidas". "Nos anos recentes, cada vez que os mercados financeiros souberam de notícias negativas sobre a Grécia, as taxas de juro sobre as obrigações do governo alemão caíram, e cada vez que as notícias foram boas, estas subiram", refere o mesmo documento.

sábado, 11 de julho de 2015

Adiar o problema


Schäuble e Merkel recusam um "perdão", mas ponderam a possibilidade de "reestruturação da dívida grega" que o FMI considera ser "insustentável". Bundesbank diz que BCE não deve conceder mais liquidez de urgência. O acordo é inevitável, digo eu. Ninguém parece estar com grande vontade de experimentar a saída da zona euro da Grécia. O acordo, como disse, inevitável, não passará de uma escolha entre o mau e o péssimo que não vai resolver o problema de fundo da Grécia. Caso nada seja alterado, daqui a mais ou menos tempo (mais menos do que mais, acho eu), a zona euro será confrontada com uma nova situação em tudo idêntica à actual. Quanto ao acordo, não passará de uma mera questão de retórica, destinada a consumo interno, que permita a ambas as partes "salvar a face".

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Quarto reich


Segundo o gabinete de estatística da Comunidade Europeia, a zona euro está em estagnação. O principal motivo desta estagnação está na contracção, no segundo trimestre, das economias da Alemanha e da da Itália e na estagnação da economia francesa. Em entrevista ao jornal alemão Die Welt, o comissário europeu para o Emprego, Lazlo Andor, considera que o excedente comercial alemão está a prejudicar os restantes países europeus e instou os responsáveis alemães a estimularem a procura interna, aumentando os salários dos trabalhadores, bem como a despesa pública. “O aumento dos salários foi mais baixo que o aumento da produtividade na Alemanha” durante mais de uma década, afirmou Andor. Bruxelas defende agora que o aumento dos salários pelos alemães é “indispensável” para a recuperação económica da região. “Seria melhor se os salários subissem ao mesmo nível que a produtividade”, defendeu o comissário. O domínio da Europa é uma velha aspiração alemã. Não o conseguiu nas duas primeiras guerras mundiais. Mas ninguém duvide, está prestes a consegui-lo e sem dar um tiro.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Meter uma lança em África


Terminou o Mundial de Futebol 2014 no qual a Alemanha "meteu (mais) uma lança em África". Depois de uns inimagináveis 7-1 (5-0 aos 29 minutos) ao Brasil, pela primeira vez, uma selecção europeia ganhou um mundial no continente americano. Foi a vitória de uma equipa compacta, forte, que se apresentou sempre como difícil de bater, com um futebol positivo, de qualidade e muita posse de bola. A Argentina, finalista derrotado, entendeu muito bem quem tinha pela frente na final. Deixou a Alemanha trocar a bola a seu belo prazer em dois terços do terreno de jogo. No último terço, nunca deu espaço aos alemães para fazerem aquilo que mais gostam, jogar nas costas dos defesas. E em contra-ataques venenosos quase ia vencendo o jogo. Faltou-lhe alguma frescura física nos minutos finais do prolongamento. Como alguém disse, "são 11 contra 11 e no fim ganham os alemães".

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Não seria melhor guardar o dinheiro no colchão?


A Alemanha reduziu a zero o custo da sua dívida a 1 ano e em vez de oferecer juros, são os investidores que estão dispostos a renunciar a eles em troca do refúgio na dívida “mais segura” da zona euro. Esta situação (anormal) traduz-se, no mercado secundário de dívida pública, com os títulos a 12 meses a alcançarem rentabilidades negativas, -0.006%, segundo o jornal Expansíon. Os títulos a 2 anos estão, igualmente, com uma rentabilidade negativa de apenas 0.008%. A 10 anos, esta percentagem mantém-se em mínimos históricos, abaixo dos 1.2%, igual ao que acontece com os títulos a 30 anos, que estão abaixo de 1.7%.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Pimenta no cu dos outros...


... para mim é refresco, diz o povo português. A Alemanha colocou 4.56 mil milhões de euros (o correspondente a 50% das suas necessidades de financiamento para 2012), com um prazo a 2 anos, a um juro médio de 0,07%. Para os mais leigos nesta matéria, um juro desta ordem de grandeza é negativo em termos reais, o que significa que os investidores, considerando os títulos alemães como valor refúgio, não se importam em perder (algum) dinheiro. Portanto, enquanto esta situação se mantiver, quem é que acredita numa Alemanha seriamente comprometida com a resolução da crise das dívidas soberanas dos países do euro?