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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Efeito Pinóquio


Já não é a primeira vez (nem, muito provavelmente, será a última) que o FMI faz mea culpa da defesa da austeridade. O que o FMI veio agora dizer é que a mudança em 2010 para a consolidação orçamental foi "prematura" e teve como consequência retomas anémicas e de curta duração na Europa. Mas, convém não esquecer, o FMI é um "animal" estranho, em que a cabeça não comanda o corpo e a perna direita não caminha, conjugadamente, com a esquerda. Ainda a tinta do relatório do IEO (organismo de auditoria criado pelo FMI para avaliação das actividades e políticas do Fundo), responsável pela crítica da orientação seguida, não tinha secado e já a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, fazia distribuir um comunicado em que defendia que "a consolidação orçamental foi a melhor decisão tomada". Entretanto, o FMI puxou as orelhas ao governo português. Considera a subida do salário mínimo "prematura". Para além disso, não acredita nas previsões do governo para 2015 inscritas na proposta de orçamento de Estado. Para os magos de Washington, o défice em 2015 vai deslizar para 3.4% pela simples razão de que o crescimento português será inferior à estimativa do governo.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Bem prega Frei João!


Mais uma vez, uma equipa de técnicos do FMI, liderada pelo economista-chefe Olivier Blanchard, veio defender a ideia de que as medidas de austeridade devem ser aplicadas de forma progressiva, com cuidado, para não provocarem efeitos contraproducentes na economia. É o discurso das segundas, quartas e sextas. O problema é que a troika quando desembarca em Lisboa vem com o discurso das terças, quintas e sábados ("custe o que custar"), isto a avaliar pelas declarações dos parceiros sociais à saída das reuniões no decurso das actuais avaliações.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Receita de geometria variável


O texto acima faz parte de um recente relatório do FMI sobre os cortes orçamentais nos EUA. É mais do que evidente que a economia portuguesa não é comparável à americana. Contudo não deixa de ser hilariante comparar esta análise com a receita defendida pelo mesmo organismo para Portugal. O que assusta lá, é o que se propõe para cá!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Eu também empresto


Trinta e cinco mil milhões de euros, é quanto Portugal se comprometeu a pagar à troika em juros e comissões. Ora, um valor desta ordem de grandeza representa cerca de 45% do empréstimo internacional, o que, segundo li, parece não ser incomum (!!!) em situações deste género. Nestas condições, também eu empresto todo o meu dinheiro ao Estado. Mais, faço um crédito junto da banca, para emprestar ao Estado!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Comissões milionárias


Portugal vai pagar 655 milhões de euros em comissões à troika, 335 milhões em 2011, 211 milhões em 2012, 84 milhões em 2013 e 25 milhões em 2014. Mas afinal quem é que está a emprestar a quem?

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ou é a sério ou não vale a pena...


O FMI quer que o governo português reduza, a partir de 2012, a TSU (Taxa Social Única) em 8.5%, mais do dobro do cenário estudado pelo governo. Sabendo que cada ponto percentual representa cerca de 400 milhões de euros, estamos a falar, só para o ano de 2012, de um corte nas receitas da SS de cerca de 3.400 milhões de euros. Como será evidente, este buraco terá de ser tapado. E a receita proposta do FMI é tapá-lo com o aumento do IVA dos produtos da taxa reduzida. Segundo Poul Thomsen, chefe de missão do FMI na troika, caso a redução da TSU não seja da ordem de grandeza apontada, o seu impacto será reduzido ou nulo, já que os empresários tenderão a incorporar o corte nos lucros, não contratando mais pessoas ou tornado as empresas mais competitivas. E eu digo, caso não sejam criados mecanismos de fiscalização, o Senhor Poul Thomsen pode ter a certeza que, para uma percentagem muito significativa das empresas, este corte servirá, para além de justificação de novo aumento da carga fiscal, apenas e tão só, para troca de carro ou compra um novo LCD.