Se hoje a dívida da Grécia já é impagável, com o terceiro resgate só não fica mais impagável porque, por definição, acrescentar algo ao infinito não torna o infinito maior. Em 2016 a dívida grega ultrapassará uns inimagináveis 200% do PIB! Para Yanis Varoufakis, ex-ministro grego das Finanças, o resgate não vai resultar e vai mergulhar a Grécia em mais uns anos de recessão, agravando a situação. A Grécia precisa do acordo para fazer face aos compromissos da sua dívida. Partindo do princípio de que Tsipras não é estúpido, a sua jogada será: No imediato, aceitar tudo pois, a prazo, não haverá alternativa senão um alívio (leia-se corte) substancial da dívida grega.
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sábado, 15 de agosto de 2015
segunda-feira, 13 de julho de 2015
História interminável
Surgiu um documento, alegadamente originário do Ministério das Finanças da Alemanha, sugerindo como praticamente certa a saída da Grécia da zona euro, ainda que temporariamente. Este documento, divulgado na edição online do jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitunge, pondera dois caminhos: (1) Saída ordenada e temporária (durante 5 anos) da Grécia da zona euro acompanhada de ajuda humanitária e (2) Venda de património do Estado grego num valor de cerca de 50 mil milhões de euros. Como será evidente, a origem do documento, redigido em inglês, não foi assumida por ninguém, assim como não terá sido objecto de qualquer discussão. Ainda que assim seja, é mais um passo em direcção do "Grexit". O que até aqui tinha sido repetidamente formulado (de forma oral e como hipótese meramente académica) por muitos altos responsáveis europeus já passou à forma escrita. O documento, mesmo filho de pais incógnitos, não surgiu por geração espontânea. O caminho está a ser cuidadosamente estudado, como, aliás, o próprio Juncker admitiu há ainda não muitos dias. A Finlândia, país que a par da Alemanha está a ser mais inflexível relativamente às medidas a implementar pela Grécia num eventual terceiro resgate, parece até estar um passo à frente neste capítulo. O seu Ministro das Finanças está mandatado para negociar a saída da Grécia!
quarta-feira, 8 de julho de 2015
I owe you
"Se necessário, emitiremos liquidez paralela e IOU (I Owe You ou notas promissórias), como fez a Califórnia em 2008, em formato electrónico. Já o deveriamos ter feito há uma semana", disse Varoufakis ao jornal inglês The Telegraph. Essas notas promissórias temporárias podem servir para pagar salários e pensões. Ao The Telegraph "Varoufakis insiste que não se trata de um prelúdio à saída da Grécia (Grexit), mas uma acção legal no âmbito da santidade inviolável da união monetária". Se pagar salários e pensões com os tais IOU, o Tesouro grego poderá ficar com uma folga importante (euros reais) para pagar aos credores externos. O pagamento mais decisivo que aparece no horizonte é ao BCE, 3.5 mil milhões de euros a 20 de Julho. É também uma forma de ganhar tempo. Entretanto, há relatos (via The Wall Street Jornal e algumas televisões gregas) de que essa frase de Varoufakis terá precipitado ou tornado mais claro que o economista não poderia continuar como ministro e a negociar com os credores do Eurogrupo e da troika.
terça-feira, 7 de julho de 2015
Na melhor tradição da mitologia grega
Quem julgou que a Grécia era um país de joelhos, enganou-se redundamente. Insensíveis à chantagem dos credores, os gregos votaram massivamente não e o discurso "caso ganhe o não a Grécia sairá da zona euro" já evoluiu para "vamos continuar a negociar". O governo grego saiu legitimado da consulta popular, mas a situação mantém-se crítica.
domingo, 5 de julho de 2015
sábado, 4 de julho de 2015
Se fosses grego...
Por estes dias temos ouvido com alguma frequência, se fosses grego votarias... As últimas sondagens indicam um empate entre o sim e o não. Estou convencido que metade dos eleitores gregos não entende a pergunta e a outra metade não percebe o que está em causa. Muito provavelmente, tirando algumas tomadas de posição individuais, nem o próprio governo já decidiu o que irá fazer no dia seguinte. Contudo, na minha opinião, numa coisa tem razão: Discutir uma extensão do segundo resgate ou um eventual terceiro resgate sem colocar em cima da mesa o problema da dívida grega, não faz sentido nem resolve nada. Daqui a uns tempos (meses, anos (poucos)...) a zona euro será confrontada novamente com a mesma situação. Houve uma altura em que julguei que a ideia de convocar o referendo tinha sido uma jogada de mestre. Hoje já não estou tão convencido disso.
terça-feira, 30 de junho de 2015
Jogada de mestre
Para putos sem experiência (leia-se, governo grego), a jogada foi de mestre. Agora é a troika que está a correr atrás do prejuízo. Não só as conversações não terminaram, como, agora, são os credores que se estão a aproximar da posição grega, o que prova que, apesar de todas as declarações no sentido de que a saída da Grécia do euro não representaria o princípio do fim da moeda única, em bom rigor, ninguém faz a mais pequena ideia das possíveis consequências. E, ao que parece, também ninguém está interessado em experimentar!
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Concordar... em discordar!
O acordo entre a Grécia e os credores ainda não foi alcançado. Eis a cronologia, ao minuto, do dia de ontem: 10:47-Credores não aceitam a proposta grega. 11:26-Credores entregam a proposta revista aos gregos. 13:08-Gregos rejeitam a contraproposta apresentada pelos credores. 13:38-Alemanha faz saber que a reestruturação da dívida grega está completamente fora da agenda. 18:43-O ministro das Finanças alemão afirma ainda não haver progressos suficientes para um acordo. Apesar disto, Bruxelas continua a afirmar que as propostas são um passo (de caranguejo, diria eu) para um acordo. Segundo o governo grego (ainda que sem detalhar a(s) matéria(s) em desacordo), é o FMI que estará a bloquear o acordo por não concordar com as propostas apresentadas. O jornal britânico Guardian desvenda o motivo que estará na origem do desacordo. Segundo o referido jornal, o FMI terá insistido que os impostos propostos pelo governo grego para as empresas fossem retirados, colocando antes o ónus sobre os trabalhadores e os pensionistas, o que, obviamente, não foi aceite pelos gregos. A ser assim, até parece que há quem esteja a apostar no incumprimento grego!
segunda-feira, 22 de junho de 2015
25ª hora
Julguei (e escrevi) que o braço de ferro entre a Grécia e os seus credores não era mais do que uma encenação para ninguém perder a face (o governo grego poder dizer que "bateu o pé" à troika e os credores continuarem com o discurso de que não há excepções) e que o acordo seria inevitável. Hoje já não estou tão certo disso. As conversações eternizam-se sem que se vislumbre qualquer hipótese de acordo. Certo, certo é que este jogo é muito perigoso e de consequências imprevisíveis. O que parece agora estar em cima da mesa é "ou fazem o que queremos ou saem do euro". E, verdade seja dita, ainda que as consequências imediatas possam constituir um autêntico cataclismo para o povo grego, a prazo, talvez seja a única solução. A dívida grega é impagável e cortar rendimentos não resolve o problema.
quarta-feira, 18 de março de 2015
Homo politicus
O que começou vermelho (bem vivo) já vai em rosa desbotado. Mais uns meses (e ao ritmo dos últimos acontecimentos, nem serão tantos quanto isso!), a estrela do Syriza estará tão amarela como as restantes. O governo grego até já admite, pela voz do seu Ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, "suspender ou atrasar a implementação das promessas eleitorais ao longo dos próximos meses". Mais uns tempos e os gregos sentirão na pele o que parece ser a característica estruturante do "homo politicus": Prometer uma coisa e fazer outra.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
sábado, 18 de fevereiro de 2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
Saída da crise
A crise grega parece querer eternizar-se. O governo grego já começou a falar na possibilidade de saída do euro caso não seja desbloqueado novo empréstimo de 130.000 milhões de euros. Como os políticos e os economistas da UE parecem não ser capazes de vislumbrar uma solução, eis a minha proposta: as mulheres gregas que tirem a mão da frente e os homens a mão de trás!
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
O quê?!
O governo grego viu perdoada 50% da dívida da Grécia, a promessa de injecção de 100.000 milhões de euros no país e ainda vai perguntar aos gregos se querem continuar no euro? Talvez tenha chegado a hora de o euro desistir da Grécia...
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Portugal igual à Grécia
Aquilo que se temia está a começar a acontecer. Devido à esperteza saloia de AJJ, aos olhos do mundo, Portugal começa a parecer um remake de mau gosto da Grécia. Quem o diz é a Moody's, que também afirma que existe muito mais dívida pública (respeitante sobretudo a empresas públicas) do que aquela que transparece das contas nacionais. Contudo, também reconhece que o governo português parece empenhado em assumir o controlo das dívidas da Madeira, empresas públicas e autarquias. A ver vamos!
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