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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Meio cheio ou meio vazio?


Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, mentiu à Comissão de Inquérito Parlamentar que investiga o caso Banif? Provavelmente não, mas também não disse toda a verdade. Carlos Costa nas suas declarações tinha deixado entender que a decisão de cortar ao Banif o estatuto de contraparte (financiamento do eurossistema) tinha partido do supervisor europeu (BCE). Mas não, na minuta da 417ª reunião do Conselho de Governadores do BCE pode ler-se "O Conselho de Governadores aprovou a proposta submetida pelo Banco de Portugal para limitar o acesso do Banif a operações reversíveis de cedência de liquidez do eurossistema". Afinal, a resolução do Banif não foi uma questão de falta de poder face ao BCE, como Carlos Costa afirmou na comissão de inquérito, mas sim uma decisão do regulador português.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Sacudir a água do capote


Todas as histórias têm tantas versões quantas as partes envolvidas e, a propósito da resolução do Banif, a versão do Banco de Portugal é que, apesar da decisão final ter sido formalmente sua, não houve margem para opção por outra via. A resolução do Banif e a venda da sua actividade ao Santander foi a solução apontada ao Banco de Portugal pelo governo e pela Comissão Europeia. Pelo menos é o que se depreende dos documentos enviados pelo supervisor à comissão parlamentar de inquérito, num dos quais se lê que o Ministério das Finanças "comunicou" ao banco central que, "analisadas as alternativas de recurso", a solução do problema passaria pela resolução e alienação da sua actividade. Por outras palavras, mais uma vez, o banco foi-se, a factura foi entregue aos contribuintes e ninguém é responsável pela situação.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Invisual do ano


Nos últimos anos, ao que temos assistido, para ser governador do Banco de Portugal é preciso ser-se cego. Foi assim com Vítor Constâncio e o BPN, continuou assim com Carlos Costa e o BES. Agora que o mandato de Carlos Costa está a terminar, ao que tudo indica, o Governo, com a concordância do Presidente da República, prepara-se para o reconduzir num novo mandato. Por esse mundo fora há milhões de invisuais que enfrentam as mais diversas barreiras diariamente. Felizmente, Portugal é uma excepção.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Espoliados do BES


Perante a possibilidade de os clientes do BES perderem todo o dinheiro investido em papel comercial, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, fez finca pé, impondo perdas de apenas cerca de metade do capital investido. O povo, espoliado, mas agradecido, não perdeu tempo a demonstrar a sua gratidão perante uma tão grande demonstração de generosidade. Um autêntico anjo da guarda das poupanças de quem trabalhou toda a vida para gozar um fim de vida com algum conforto e desafogo!

sábado, 4 de outubro de 2014

Critérios de selecção


Pergunta - Qual o critério (ou critérios) para a escolha do governador do Banco de Portugal (BdP). Resposta - Ser cego, completamente cego, parece-me ser o principal critério de selecção. Digo isto porque, depois do caso BPN, não se compreende o caso BES (estes são, apenas e tão só, os mais mediáticos, mas os problemas da banca portuguesa eram mais ou menos gerais). Em abono da minha tese, ficamos recentemente a saber pela boca de Mário Draghi que foi graças ao BCE que o BdP percebeu os problemas do BES. Nas suas palavras, "O BCE disponibilizou à entidade supervisora [Banco de Portugal] melhores padrões, contribuiu para o esforço da troika para formular melhores critérios de análise e foi graças a esses melhores padrões que a autoridade supervisão portuguesa pode identificar os problemas no BES".

domingo, 17 de agosto de 2014

Donzela enganada


Apesar do aspecto castigador e medonho do quadro, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal (BdP), não passa de (mais) uma "donzela enganada". Aliás, este parece ser o destino de quem ocupa o cargo de governador do BdP. Mais cedo ou mais tarde, fatal como o destino, os governadores do BdP acabam por vestir a pele de donzelas traídas e enganadas. Soubemos pela boca do próprio que tinha sido traído pela administração do BES (em geral) e por Ricardo Salgado (em particular). Não sei se o BCE tem, neste momento, algumas vagas disponíveis. Em caso afirmativo, à semelhança do seu antecessor, talvez esteja na hora de uma mudança de ares para o governador do nosso banco central.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

A raposa e o galinheiro


Logo que foram conhecidas as contas do BES relativas ao primeiro semestre do ano, as consequências não se fizeram esperar: suspensão de três administradores (históricos) do BES e perda do direito de voto da família Espírito Santo. Por outro lado, Carlos Costa já estará arrependido de muito do que disse acerca da solvabilidade do banco e da sua exposição ao GES. Foi um longo caminho, percorrido em menos de um fósforo, entre "a almofada financeira é suficiente" até "estamos com um problema muito sério entre mãos". Tão sério que o banco já foi dividido em dois, ficando um com tudo o que é bom e recuperável (Novo Banco) e o outro com todos os activos tóxicos (BES). E os accionistas do BES continuam accionistas, mas só do BES. O único accionista do Novo Banco é o Fundo de Resolução que, não tendo dinheiro suficiente, vai socorrer-se de um empréstimo do Estado. Adivinha-se uma prolongadíssima guerra nos tribunais!

PS - Não fica bem ao governador do Banco de Portugal a assumpção do papel de "donzela enganada". Em que país é que uma administração de um banco, julgada pouco idónea, é mantida em funções de maneira a fazer desaparecer mais de 1.500 milhões de euros nos últimos dias em funções? Pegando na fábula da raposa e o galinheiro, o que o regulador fez foi dizer à "raposa": "Tens de sair no final do mês. Mas até lá podes continuar a comer as galinhas!".