Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, mentiu à Comissão de Inquérito Parlamentar que investiga o caso Banif? Provavelmente não, mas também não disse toda a verdade. Carlos Costa nas suas declarações tinha deixado entender que a decisão de cortar ao Banif o estatuto de contraparte (financiamento do eurossistema) tinha partido do supervisor europeu (BCE). Mas não, na minuta da 417ª reunião do Conselho de Governadores do BCE pode ler-se "O Conselho de Governadores aprovou a proposta submetida pelo Banco de Portugal para limitar o acesso do Banif a operações reversíveis de cedência de liquidez do eurossistema". Afinal, a resolução do Banif não foi uma questão de falta de poder face ao BCE, como Carlos Costa afirmou na comissão de inquérito, mas sim uma decisão do regulador português.
Mostrar mensagens com a etiqueta Carlos costa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carlos costa. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 22 de abril de 2016
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Sacudir a água do capote
Todas as histórias têm tantas versões quantas as partes envolvidas e, a propósito da resolução do Banif, a versão do Banco de Portugal é que, apesar da decisão final ter sido formalmente sua, não houve margem para opção por outra via. A resolução do Banif e a venda da sua actividade ao Santander foi a solução apontada ao Banco de Portugal pelo governo e pela Comissão Europeia. Pelo menos é o que se depreende dos documentos enviados pelo supervisor à comissão parlamentar de inquérito, num dos quais se lê que o Ministério das Finanças "comunicou" ao banco central que, "analisadas as alternativas de recurso", a solução do problema passaria pela resolução e alienação da sua actividade. Por outras palavras, mais uma vez, o banco foi-se, a factura foi entregue aos contribuintes e ninguém é responsável pela situação.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Invisual do ano
Nos últimos anos, ao que temos assistido, para ser governador do Banco de Portugal é preciso ser-se cego. Foi assim com Vítor Constâncio e o BPN, continuou assim com Carlos Costa e o BES. Agora que o mandato de Carlos Costa está a terminar, ao que tudo indica, o Governo, com a concordância do Presidente da República, prepara-se para o reconduzir num novo mandato. Por esse mundo fora há milhões de invisuais que enfrentam as mais diversas barreiras diariamente. Felizmente, Portugal é uma excepção.
sexta-feira, 27 de março de 2015
Espoliados do BES
Perante a possibilidade de os clientes do BES perderem todo o dinheiro investido em papel comercial, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, fez finca pé, impondo perdas de apenas cerca de metade do capital investido. O povo, espoliado, mas agradecido, não perdeu tempo a demonstrar a sua gratidão perante uma tão grande demonstração de generosidade. Um autêntico anjo da guarda das poupanças de quem trabalhou toda a vida para gozar um fim de vida com algum conforto e desafogo!
sábado, 4 de outubro de 2014
Critérios de selecção
Pergunta - Qual o critério (ou critérios) para a escolha do governador do Banco de Portugal (BdP). Resposta - Ser cego, completamente cego, parece-me ser o principal critério de selecção. Digo isto porque, depois do caso BPN, não se compreende o caso BES (estes são, apenas e tão só, os mais mediáticos, mas os problemas da banca portuguesa eram mais ou menos gerais). Em abono da minha tese, ficamos recentemente a saber pela boca de Mário Draghi que foi graças ao BCE que o BdP percebeu os problemas do BES. Nas suas palavras, "O BCE disponibilizou à entidade supervisora [Banco de Portugal] melhores padrões, contribuiu para o esforço da troika para formular melhores critérios de análise e foi graças a esses melhores padrões que a autoridade supervisão portuguesa pode identificar os problemas no BES".
domingo, 17 de agosto de 2014
Donzela enganada
Apesar do aspecto castigador e medonho do quadro, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal (BdP), não passa de (mais) uma "donzela enganada". Aliás, este parece ser o destino de quem ocupa o cargo de governador do BdP. Mais cedo ou mais tarde, fatal como o destino, os governadores do BdP acabam por vestir a pele de donzelas traídas e enganadas. Soubemos pela boca do próprio que tinha sido traído pela administração do BES (em geral) e por Ricardo Salgado (em particular). Não sei se o BCE tem, neste momento, algumas vagas disponíveis. Em caso afirmativo, à semelhança do seu antecessor, talvez esteja na hora de uma mudança de ares para o governador do nosso banco central.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
A raposa e o galinheiro
Logo que foram conhecidas as contas do BES relativas ao primeiro semestre do ano, as consequências não se fizeram esperar: suspensão de três administradores (históricos) do BES e perda do direito de voto da família Espírito Santo. Por outro lado, Carlos Costa já estará arrependido de muito do que disse acerca da solvabilidade do banco e da sua exposição ao GES. Foi um longo caminho, percorrido em menos de um fósforo, entre "a almofada financeira é suficiente" até "estamos com um problema muito sério entre mãos". Tão sério que o banco já foi dividido em dois, ficando um com tudo o que é bom e recuperável (Novo Banco) e o outro com todos os activos tóxicos (BES). E os accionistas do BES continuam accionistas, mas só do BES. O único accionista do Novo Banco é o Fundo de Resolução que, não tendo dinheiro suficiente, vai socorrer-se de um empréstimo do Estado. Adivinha-se uma prolongadíssima guerra nos tribunais!
PS - Não fica bem ao governador do Banco de Portugal a assumpção do papel de "donzela enganada". Em que país é que uma administração de um banco, julgada pouco idónea, é mantida em funções de maneira a fazer desaparecer mais de 1.500 milhões de euros nos últimos dias em funções? Pegando na fábula da raposa e o galinheiro, o que o regulador fez foi dizer à "raposa": "Tens de sair no final do mês. Mas até lá podes continuar a comer as galinhas!".
PS - Não fica bem ao governador do Banco de Portugal a assumpção do papel de "donzela enganada". Em que país é que uma administração de um banco, julgada pouco idónea, é mantida em funções de maneira a fazer desaparecer mais de 1.500 milhões de euros nos últimos dias em funções? Pegando na fábula da raposa e o galinheiro, o que o regulador fez foi dizer à "raposa": "Tens de sair no final do mês. Mas até lá podes continuar a comer as galinhas!".
Subscrever:
Mensagens (Atom)







