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sábado, 3 de dezembro de 2011

Ónus da prova


Em Setembro, PDS e CDS aprovaram, na generalidade, um projecto comum contra o enriquecimento ilícito. O diploma visava, apenas, as pessoas obrigadas a entregar declaração de rendimentos no TC (detentores de cargos públicos). Entretanto o PSD evoluiu na sua posição, defendendo a aplicação da lei a toda a gente, o que não mereceu concordância do CDS. Como tal, desde Setembro até hoje, nada foi feito para que o projecto passe a lei. As reticências do CDS prendem-se com a possibilidade de a criminalização do enriquecimento ilícito representar uma inversão do ónus da prova, isto é, em vez de ser a justiça a provar a culpa do suspeito, é este que tem de provar a sua inocência. Neste caso específico, na minha opinião, faz todo o sentido alterar o ónus da prova. Toda a gente sabe quão difícil é provar os crimes de "colarinho branco". Há, aliás, imensos exemplos de situações dessas. Quem não deve, não teme. Se um qualquer cidadão, chamado a provar a legalidade do seu património, o tiver ganho de forma legítima, não terá problemas em o provar. Então, senhores do CDS, qual o problema?

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Esforço (mais) equitativo?


Pegando numa ideia lançada pelo PR durante a campanha eleitoral para as presidenciais de Janeiro, parece que o governo se prepara para criar um imposto especial sobre os altos rendimentos. Ao que consta, o PS também estará a preparar algo do género, agora que é oposição, pois, enquanto foi governo, sempre assobiou para o lado.

Mas não caiamos em ilusões. Mesmo que a ideia vingue, ao fazer incidir o imposto unicamente em sede de IRS, excluindo todas as outras fontes de riqueza, nomeadamente o património, o governo prepara-se para arrecadar um meros "tostões" que não fazem falta nenhuma a quem os vai pagar e que representarão, enquanto receita, uma fracção (mínima) do esforço de combate à crise.

Por outras palavras, esta ideia, não passando de puro marketing político, sem nenhum alcance prático, serve para combater a ideia que se está a instalar na sociedade portuguesa de que a crise está a ser paga, apenas e sempre, pelos mesmos. É só esperarmos alguns meses - se 2011 foi um ano duro, 2012 será infinitamente mais duro e, nessa altura, vamos ouvir o governo justificar a equidade de esforço pedido ao povo português com o imposto especial sobre os altos rendimentos.