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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

E agora Costa?


O recente aumento do ISP foi o maior aumento do imposto sobre os combustíveis desde 2000, mas o Governo tem procurado desvalorizar o seu impacto nos preços finais. Começou pelo discurso da neutralidade fiscal, em que a subida do imposto petrolífero servia para compensar a queda de cobrança no IVA dos combustíveis. Num segundo momento, correspondente à decisão de agravar a subida do imposto, foi garantido pelo Primeiro-Ministro que os preços finais dos combustíveis ficariam ao nível de Dezembro de 2015.  Ao mesmo tempo, deu a entender que o imposto poderia descer caso o preço do petróleo subisse. Recentemente, a Rússia, Arábia Saudita, Venezuela e Qatar resolveram congelar a produção de petróleo para os níveis de Janeiro deste ano, o que teve como efeito imediato a subida dos preços do petróleo. A promessa mantém-se ou, para variar, mantém-se, desde que não haja quebra nas receitas fiscais?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Apanhados com as calças na mão!


A propósito do novo ISP (Imposto sobre os Produtos Petrolíferos), que, supostamente, só entraria em vigor com o OE 2016, um amigo meu, tentando demonstrar-me que, a haver aumento de impostos, o aumento do ISP tinha sido uma boa escolha (na perspectiva de que poderia não vir a ter grande impacto na vida das pessoas), dizia: "Caso o petróleo continue a descer, o aumento do imposto, quando entrar em vigor, pode até não ter expressão nenhuma, ou quase nenhuma, no preço final". Pois bem, António Costa também deve ter ouvido a nossa conversa e, vai daí, manda publicar, à socapa, em Diário da República, uma portaria a actualizar o valor do imposto, portaria essa para entrar em vigor no dia seguinte ao da sua publicação!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Read my lips: No more taxes!


A frase é de George H. W. Bush, à data candidato à Presidência dos Estados Unidos, e, ao que tudo indica, tal como o ex-presidente norte-americano, também António Costa vai engolir as palavras. Para quem pretendia iniciar um novo ciclo, a coisa dificilmente poderia correr pior!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Escrito na pedra ou preso por arames?


Os acordos celebrados por António Costa com os partidos à esquerda do PS não terão ficado gravados na pedra, mas também não estarão (tão) presos por arames como muita gente pretende fazer crer. Contudo, mesmo que assim seja, não há alternativa. Passos e Portas já afirmaram que não ficarão em gestão e um governo de iniciativa presidencial cairia no exacto momento em que pisasse a Assembleia da República. Mas há um ponto em que os críticos têm razão. António Costa ao celebrar três acordos em vez de um com todos os partidos fragiliza a sua posição e a de um futuro governo de esquerda. Por outro lado, ao constituir um governo minoritário PS, António Costa (e o PS) estão a assumir todos os riscos. Caso corra mal, serão eles a pagar as favas. De qualquer forma, a breve trecho poderemos dissipar dúvidas acerca da fragilidade dos acordos celebrados. Já há matérias agendadas para discussão na Assembleia da República suficientes para isso.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

PREC (Processo de Reuniões em Curso)


A corda ainda não rebentou, mas está quase no limite. Passos Coelho cansou-se do PREC (Processo de Reuniões em Curso) e diz que para ele chega de reuniões a fingir. Acha que o PS anda a piscar o olho à esquerda e à direita, sem que realmente se pretenda comprometer seja com quem for. Aparece nas reuniões de mãos a abanar e sai das mesmas a dizer que a coligação não entrega os elementos pedidos. Uma coisa parece certa. Um observador que desconhecesse o resultado das eleições poderia pensar que Costa é que as tinha ganho, tal a roda viva em que anda.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Homem às aranhas


Os militantes e simpatizantes socialistas estarão, nesta altura, a pensar se António Costa terá sido a aposta no cavalo certo. Ainda há não muito tempo ouviram da boca do líder socialista um inesperado elogio a Manuela Ferreira Leite. Mesmo não tendo percebido, terão pensado "Estará a namorar algum elitorado social-democrata que não se revê no governo". Mais recentemente foi a declaração de que os refugiados seriam muito benvindos... para limpar as matas!!! Inacreditável, é o mínimo que se pode dizer. Os países de onde os refugiados são oriundos (muito particularmente da Síria pelo número de refugiados oriundos de lá) não me parecem ser países conhecidos pelas suas frondosas matas. Mais, entre as centenas de milhar de refugiados haverá muitos altamente qualificados que não esperam que o país que os acolher lhes meta uma sachola nas mãos e os ponha a limpar matas. A juntar a tudo isto, a menos de um mês das eleições, as intenções de voto nos socialistas continuam cada vez mais na mesma, senão mesmo a piorar. Por último, mas não menos preocupante, José Sócrates passou a estar em prisão domiciliária com total liberdade para dar as entrevistas que entender. Caso o faça (e há quem afirme que não vai esperar pelas eleições para o fazer), ainda que seja difícil antever qual o impacto das suas palavras durante a campanha eleitoral, é mais um motivo de preocupação para os socialistas.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Para memória futura


A reposição dos feriados abolidos pela troika e o regresso às 35 horas de trabalho semanal logo que possível, são duas medidas defendidas pelo secretário-geral socialista, António Costa. “A nossa posição é no sentido da reposição, desde logo, dos dois feriados civis, o 1.º de Dezembro e o 5 de Outubro. E nesse sentido não faz sentido excluir também os outros dois", afirmou Costa. Quanto à questão das 35 horas de trabalho semanal para a administração pública já em 2016, Costa foi peremptório e respondeu afirmativamente: “Se puder ser já em 2016, acho que é desejável. Essa é uma medida que não tem nenhum efeito na redução da despesa”.

terça-feira, 28 de abril de 2015

O milagre das rosas


A partir de agora deixa de ser possível dizer que PS e PSD é a mesma coisa. Em Setembro/Outubro próximos, data das legislativas, vai ser possível optar entre vias completamente diferentes. Pela primeira vez, as políticas defendidas por um e pelo outro partido estão separadas por anos-luz. Enquanto uns defendem cofres cheios, outros preferem bolsos cheios, enquanto uns dizem "pague agora, receba depois" os outros afirmam "receba agora, pague depois". O documento apresentado pelo PS é uma espécie de milagre das rosas. A despesa é certa, a receita logo se vê. Se a previsão de crescimento do Programa de Estabilidade, apresentado pelo Governo, era optimista, a do PS é delirante. Há riscos externos, ignorados por ambos os documentos, relativamente aos quais não somos tidos nem achados, que podem comprometer todas as contas. Apenas três exemplos: fim do programa de compra de dívida pelo BCE, preço do petróleo e cotação do euro face ao dólar. Não é por acaso que se diz que os economistas existem para dar credibilidade aos meteorologistas!

sábado, 31 de janeiro de 2015

Devagar, devagarinho...


António Costa chegou à liderança do PS com duas grandes bandeiras: Imprimir "outro ritmo e outra dose" na oposição ao governo (acusava a liderança de António José Seguro de ser demasiado mole) e fazer descolar o PS rumo a uma maioria absoluta. Pois bem, só agora, quatro meses após ter ganho as primárias, é que se começa a notar alguma recuperação nas intenções de voto (recorde-se, o PS sofreu uma queda abrupta de mais de cinco pontos percentuais em Junho, aquando do início da crise interna), o que está a deixar os socialistas algo desconfortáveis. A poucos meses de eleições legislativas, já há quem ache, dentro do PS, que, ao ritmo que as coisas estão a evoluir, a maioria absoluta é uma miragem.

PS-As coisas não estarão a correr, exactamente, conforme desejado, mas, a avaliar pelo quadro, António Costa tem seguido um rigoroso plano de treino, mostrando uma forma física como se tivesse, novamente, 20 anos! A campanha promete ser longa e desgastante, nada como preparar, desde já, o corpo para esse esforço.

domingo, 26 de outubro de 2014

Cheque em branco


Uma sondagem recente coloca o PS (de António Costa) no limiar da maioria absoluta. O que, na minha opinião, é surpreendente na medida em que António Costa ainda só disse que vinha (e não ao que vinha). Tirando alguns lugares-comuns, Costa ainda não explicou em que é que o PS é diferente do PSD (e do CDS), qual a sua visão para o país. A única explicação (razoável) para um tal cheque em branco, é a imensa vontade dos portugueses em ver Passos e companhia pelas costas.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Mais do mesmo


Ao que parece, vamos ter um PS (de António Costa) de combate. Segundo o jornal Público, António Costa já decidiu - o PS vai votar contra o Orçamento de Estado para 2015. O que me parece espantoso e um mau sinal. Espantoso porque a proposta ainda não é conhecida. Logo, votar contra o quê em concreto? Mau sinal porque, a ser assim, vamos ter mais do mesmo. Se o governo diz sim, o PS diz não, independentemente de quaisquer outras considerações. Ao que tudo indica a ideia é marcar a discussão da proposta de orçamento com uma oposição frontal e demarcar o PS da imagem de ter feito uma oposição dócil nos últimos anos. Percebe-se a necessidade de afirmação da nova liderança do PS, mas, faltando poucos dias para a apresentação da proposta, seria mais inteligente esperar para ver. Depois, logo se veria.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Rei morto, rei posto


António José Seguro, líder do PS e candidato a primeiro-ministro, "morreu" (pelo menos para já). Na sua declaração de derrota, Seguro felicitou o vencedor Dr. António Costa e não o camarada António Costa. Tirando este pequeno "pormaior", nada de diferente do esperado. À hora em que este texto está a ser escrito, ainda não há resultados definitivos, mas a vantagem de António Costa é esmagadora. Resta ver o que vale o novo "rei". Até hoje, ainda ninguém percebeu, inequivocamente, o que separa Costa de Seguro. No dia em que o PS chocar de frente com a realidade (e isso acontecerá mais dia menos dia), veremos se o PS de Costa é muito diferente do PS de Seguro ou se tudo não passa de uma questão de estilo.


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

À janela


No segundo debate entre os candidatos a candidato a primeiro-ministro do Partido Socialista, António José Seguro deixou uma nova imagem de Costa. De acordo com as suas palavras, António Costa está há três anos à janela do município à espreita do momento oportuno para assaltar o poder dentro do PS. Tanto tempo a observar quem passa teve como consequência tornar António Costa no presidente de câmara que mais munícipes conhece, diria eu!

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Os senhores que se seguem?


Em entrevista recente, António Costa assumiu que o seu verdadeiro adversário é o ex-autarca do Porto Rui Rio. "O país anseia por novos protagonistas, com provas dadas, que rompam este ciclo de vistas curtas em que temos estado [...]. E é manifesto que, à direita, as pessoas se reveem cada vez mais em Rui Rio", afirmou Costa nessa entrevista. Para ser franco, ainda não se percebe com muita nitidez o que separa António Costa de António José Seguro. Para além de ideias vagas acerca do rumo a dar à nossa economia, Costa pouco mais tem dito. Quanto a Rui Rio, também não é claro que pretenda "assaltar" o PSD. Tudo dependerá das próximas eleições. Nesta altura, Rui Rio parece mais estar a ser "empurrado" do que a constituir-se, por vontade própria, alternativa a Passos Coelho.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O combate dos chefes


Não é fácil a um homem abdicar do sonho da sua vida, muito particularmente, quando ele se encontra "ao virar da esquina". Mas escudar-se em questões estatutárias, fugindo ao desafio, teria sido o suicídio político de Seguro. Os portugueses nunca votariam para primeiro-ministro num homem que teve medo de ir a votos dentro do próprio partido!

domingo, 1 de junho de 2014

Sem retorno


O ditado é velho, não há duas sem três. António Costa resolveu desafiar a liderança de Seguro. E desta vez não há recuo possível. Na própria noite das eleições, António Costa tinha demonstrado o seu desconforto pelo facto de a derrota histórica dos partidos da maioria não ter correspondido a uma vitória histórica do PS. Na linha de Mário Soares, que qualificou a vitória do PS como uma "vitória de Pirro", também António Costa considerou que a vitória "soube a pouco".

sábado, 25 de janeiro de 2014

O desejado


O PS está a viver um momento singular. Tem um líder que ganhou de forma incontestável, mas que não convence, nem dentro, nem fora do partido. Ferro Rodrigues veio, recentemente, deitar mais uma acha na fogueira: ou o PS ganha as europeias de forma inequívoca, ou...