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sexta-feira, 10 de julho de 2015

A marcar passo


O PS surge, novamente, em primeiro lugar nas intenções de voto dos portugueses, ainda que com uma pequena diferença (4.9 pontos percentuais, 37.6% e 32.7%, respectivamente) sobre a coligação PSD/ CDS) na última sondagem da Intercampus para o Público, TVI e TSF. Ainda que os resultados das sondagens se estejam a revelar pouco fiáveis (ver Inglaterra e Grécia, para só citar os últimos casos), francamente, nesta altura do campeonato, para acalentar uma vitória por maioria absoluta, o PS teria de estar a "valer muito mais do que 500 paus". Afinal o problema talvez não fosse António José Seguro, o qual, deverá estar a achar imensa piada a este marcar passo do PS.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Visto prévio


41 anos depois do 25 de Abril, PSD, CDS e PS puseram-se de acordo e tentaram, a coberto necessidade de regulamentação da cobertura das campanhas eleitorais, instaurar, novamente, o visto prévio aos orgãos de comunicação social. Inacreditável, regresso ao passado, são os termos que me ocorrem a respeito de um tão absurdo propósito. E o mais curioso desta aberração legislativa é que os únicos partidos signatários são os do chamado "arco da governação". Se houvesse dúvidas, esta tentativa de instaurar a censura é (mais) uma prova de que a inteligência tem limites, mas a estupidez (política) não!

sábado, 2 de maio de 2015

Chumbado!


Uma década para Portugal, apresentado há poucos dias, incomodou a maioria governamental. E tanto incomodou que, o documento ainda estava a ser apresentado publicamente, e o PSD já estava a reagir. O que não deixa de ser curioso. Em primeiro lugar, o relatório não é um documento do PS. Foi encomendado pelo PS e os seus autores aparecem claramente identificados. Em segundo lugar, trata-se de um cenário macroeconómico, como tal, tão legítimo como qualquer outro. Em terceiro lugar, em democracia, o que se espera é que partidos diferentes defendam vias igualmente diferentes. Donde, não lembraria nem ao Diabo, pedir uma auditoria ao documento, como o fez o PSD, a duas entidades independentes, Unidade Técnica de Apoio Orçamental e Conselho de Finanças Públicas (só faltou mesmo dizer qual o veredicto desejado!). Se as contas do cenário PS "estão demasiado cor de rosa", numa democracia como a que vivemos, não resta alternativa ao PSD senão demonstrá-lo aos eleitores. O PSD (e o CDS) também apresentaram, uns dias antes, um cenário (Programa de Estabilidade) questionável nalgumas previsões. Enquanto cenários, são os dois igualmente legítimos. Quanto ao resto, é a normal luta política em véspera de eleições.

terça-feira, 28 de abril de 2015

O milagre das rosas


A partir de agora deixa de ser possível dizer que PS e PSD é a mesma coisa. Em Setembro/Outubro próximos, data das legislativas, vai ser possível optar entre vias completamente diferentes. Pela primeira vez, as políticas defendidas por um e pelo outro partido estão separadas por anos-luz. Enquanto uns defendem cofres cheios, outros preferem bolsos cheios, enquanto uns dizem "pague agora, receba depois" os outros afirmam "receba agora, pague depois". O documento apresentado pelo PS é uma espécie de milagre das rosas. A despesa é certa, a receita logo se vê. Se a previsão de crescimento do Programa de Estabilidade, apresentado pelo Governo, era optimista, a do PS é delirante. Há riscos externos, ignorados por ambos os documentos, relativamente aos quais não somos tidos nem achados, que podem comprometer todas as contas. Apenas três exemplos: fim do programa de compra de dívida pelo BCE, preço do petróleo e cotação do euro face ao dólar. Não é por acaso que se diz que os economistas existem para dar credibilidade aos meteorologistas!

domingo, 14 de setembro de 2014

O dia seguinte


Como se pode constatar pelos resultados das recentes eleições para as federações distritais, o Partido Socialista está partido ao meio: Costa ganhou em 10 das 19 federações, Seguro teve mais 1200 militantes a "votar" em si do que em Costa. Como será no próximo dia 28 de Setembro? Qual dos "vencedores" ganhará? Uma verdadeira incógnita, o universo eleitoral do próximo "combate" socialista será completamente diferente. Apesar de toda esta incerteza, julgo poder avançar desde já com duas certezas: (1) Será o voto dos simpatizantes a fazer pender os pratos para um dos lados e (2) Por muito que os candidatos a "candidato a primeiro-ministro" digam que a partir de 29 de Setembro o partido se unirá em torno do vencedor, a pacificação interna será lenta e dolorosa. Mais dolorosa no caso de vitória de Seguro, atendendo aos apoios conhecidos de António Costa (notáveis do partido, maioria dos presidentes de câmara socialistas e das concelhias do partido, etc).

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A guerra das rosas


"Nunca interrompas o teu inimigo enquanto ele estiver a cometer um erro". A frase é de Napoleão, mas assenta que nem uma luva à coligação PSD-CDS no que respeita à crise interna do PS. Este ano bem pode o governo "ir a banhos"  relaxado. A guerra das rosas está para durar com consequências bem difíceis de "digerir" (para os socialistas, evidentemente!). Na última sondagem publicada pelo Expresso aconteceu o impensável. A actual maioria (PSD e CDS) reúne mais intenções de voto do que o PS. Não adianta enterrar a cabeça na areia. A actual direcção do PS (Seguro) não é uma alternativa credível. Mas como é difícil abdicar do sonho de uma vida, há que adiar a resolução do problema para as "calendas gregas". Se a actual maioria ganhar as próximas legislativas, bem pode Passos Coelho arranjar "um tacho" para o seu melhor aliado, António José Seguro.

PS-Como será evidente, do ponto de vista da actual maioria governativa, não é indiferente qual o António que venha a ganhar a liderança do PS. Um deles afigura-se como um osso bem mais duro de roer do que o outro em cenário eleitoral. E se, por mera hipótese, tradicionais eleitores do PSD e do CDS se registassem como simpatizantes do PS para votarem em massa no António "menos duro de roer"? A hipótese não é tão académica quanto isso. Eu já conheço alguns casos.