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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Casamento com separação de programas


O Presidente tinha todos os cenários estudados, logo também este. Passos Coelho forma um governo minoritário, sem qualquer hipótese de maioria parlamentar, e derrubável em qualquer altura pela conjugação das vontades das esquerdas parlamentares, ou António Costa forma um governo minoritário, com o apoio dos restantes partidos de esquerda, ou em coligação com esses partidos, ficando refém deles. Seja qual for a solução, nenhuma delas corresponde ao legado que Cavaco gostaria de deixar ao país, um governo estável, coerente e consistente. De qualquer forma, o grande culpado deste imbróglio é o próprio Presidente que teimou em marcar as eleições para o período previsto na CRP quando todos os indicadores apontavam para uma futura composição da Assembleia da República pouco (ou nada, mesmo) propensa à conjugação de maiorias. E o tempo urge para o OE 2016! Entretanto, parece, que as negociações de António Costa à esquerda, tanto com o PCP como com o BE, estão num impasse que tornam difícil a apresentação de um acordo em tempo útil ao Presidente da República.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

E agora Cavaco?


Afinal Cavaco Silva fez bem em reservar o dia 5 de Outubro para reflexão, faltando às comemorações da implantação da República. É que, provavelmente, o cenário "vitória minoritária da direita, sem mais nenhum apoio parlamentar, e governo minoritário socialista, viabilizado por comunistas e bloquistas", ainda não estava suficientemente estudado pelo Presidente. Este cenário, ainda há pouco tempo digno de um conto de fadas, parece cada vez mais em cima da mesa, isto a avaliar pelos resultados dos encontros que António Costa vem mantendo com o Partido Comunista e com o Bloco de Esquerda. Ao que parece, tanto bloquistas como comunistas, estão dispostos a colocar entre parênteses as questões de fundo que dividem os partidos (euro, NATO, Tratado Orçamental, renegociação da dívida, etc) e viabilizar um governo cujo programa seja baseado no programa eleitoral do PS. Até a coligação PàF (PSD e CDS), que tão mal disse do programa do PS durante a campanha, já encontrou mais de 20 medidas socialistas que estão dispostos a adoptar!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O dia seguinte (VI)


E os outros? Tirando o deputado eleito do PAN (Pessoas-Animais-Natureza), nenhum outro partido, para além dos já representados, elegeu qualquer deputado para a Assembleia da República. Aparentemente, em Portugal, a novidade não parece ser muito apetecida. Quanto ao deputado do PAN, o "milagre" talvez tenha acontecido pela feliz coincidência de o dia das eleições ter acontecido no Dia Internacional do Animal, dia 4 de Outubro.

sábado, 10 de outubro de 2015

O dia seguinte (V)


Marinho e Pinto chegou à política como um meteoro e arrisca-se a desaparecer da mesma forma. De acordo com as suas palavras, uma derrota do PDR seria não eleger nenhum deputado, o que, efectivamente, se viria a verificar. É a vida!

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O dia seguinte (IV)


O camarada Jerónimo, na declaração que fez acerca dos resultados eleitorais, conseguiu ver a árvore, mas não a floresta. Ressalvou a perda da maioria absoluta da coligação PàF, acentuou a composição maioritariamente de esquerda do Parlamento, esquecendo que, a avaliar pelo que tem acontecido até hoje, é uma maioria puramente aritmética sem qualquer hipótese de entendimento para formar um governo. E, muito convenientemente, esqueceu o Bloco de Esquerda que se tornou na terceira força política com assento parlamentar.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O dia seguinte (III)


Por incrível que pareça, o Bloco de Esquerda causou mais erosão à coligação do que o próprio PS. Uma campanha notável, um resultado espantoso com crescimento em todos os concelhos e duplicação do número de deputados, um desempenho na melhor tradição da sua homónima, imperatriz russa, Catarina, a Grande. Em suma, Catarina Martins é o exemplo vivo de que uma mulher não se mede aos palmos.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O dia seguinte (II)


Assaltou o poder dentro do PS com o argumento de que as vitórias do PS não poderiam ser por poucochinho. Com ele é que as coisas andariam e, nos primeiros tempos, assim pareceu. Mas rapidamente começou a perder embalagem. Depois uma campanha inqualificável, tantos os erros cometidos, selou definitivamente a sorte do PS. Uma derrota, impensável, que deixou os socialistas em choque. Agora é tudo uma questão de mais ou menos tempo (na minha opinião menos do que mais) até o partido lhe calçar um par de patins. Quem se deve estar a rir a bandeiras despregadas é António José Seguro.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O dia seguinte (I)


Quatro anos de cortes de pensões e salários, cortes de apoios sociais, encerramento de serviços públicos, falências em massa, taxa de desemprego nunca vista, flexibilização das leis laborais, um aumento de impostos como ninguém algum dia sonhou, empobrecimento generalizado da população, é um cenário que condenaria um qualquer governo em funções a uma pesada derrota eleitoral. Um qualquer, não. Em Portugal o cenário era este e, mesmo assim, o governo ganhou as legislativas. Mérito da coligação, indubitavelmente, mas sobretudo demérito do(s) adversário(s), que é, como quem diz, do PS liderado por António Costa. Não haja dúvidas, as legislativas portuguesas de 2015 vão transformar-se num case study dos cursos de Ciências Políticas por esse mundo fora.

sábado, 3 de outubro de 2015

Última ceia ou primeiro jantar?


Muito sinceramente, neste momento, a poucas horas da abertura das urnas, não sei se esta é a última ceia (da legislatura que agora termina) ou o primeiro jantar (da próxima legislatura). De qualquer forma, estamos a viver um momento único, impensável ainda há meia dúzia de meses, mesmo pelo mais crente dos crentes. Aliás, todo o período de campanha eleitoral foi surreal. Se um marciano aterrasse em Portugal e começasse a prestar atenção à campanha, julgaria que o partido que estava no poder era o Partido Socialista (PS). Passou-se 15 dias a discutir o programa de governo do PS como se estas eleições fossem para referendar a sua acção governativa. Mais, a coligação PàF (PSD-CDS) deu-se ao luxo de fazer toda a campanha sem apresentar nenhuma proposta ao povo português, sem discutir o que quer que fosse acerca do futuro, na expectativa de que o povo lhes passe um cheque em branco. E o mais espantoso, a acreditar nas últimas sondagens, é que a estratégia parece ter funcionado!

Que se lixem as eleições (Parte II)


Ou deuses devem estar loucos


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Campanha do PS


Agora que entramos na última semana de campanha, sinto-me na obrigação de fazer uma declaração de interesses. Há uns tempos atrás, quando comecei a pensar no tema legislativas 2015, nunca imaginei vir a confrontar-me com a situação actual. Para mim, a vtória do PS seria tranquila, ainda que sem maioria absoluta. Nessa perspectiva fiz alguns trabalhos que estão agendados para os próximos dias 3 e 5 de Outubro. Hoje, muito sinceramente, acalento as maiores dúvidas acerca de uma vitória do PS, mesmo que por "poucochinho", e não acho nada absurdo uma vitória da coligação PSD-CDS por maioria absoluta. A campanha do PS tem sido um desastre quase completo, com uma série de tiros no próprio pé que ninguém imaginaria nem nos seus piores pesadelos. De qualquer forma, mesmo arriscando "estar totalmente ao lado", mantenho os trabalhos para publicação, quanto mais não seja porque, pondo de lado falsas modéstias, acho alguns deles especialmente conseguidos.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Uma campanha alegre (VIII)


Uma breve explicação acerca deste cartaz do Bloco de Esquerda (BE). Vem a propósito da recente revisão (em alta) do INE do défice de 2014 que passou para 7.2% do PIB, um valor praticamente idêntico ao de 2011. Para além disso, o governo tinha estimado para 2015 um défice de 2.7% do PIB. O INE veio agora dizer que, nos primeiros seis meses do ano, o défice foi de 4.7%, valor que se encontra a alguns anos-luz do objectivo fixado pelo governo. Por último, ainda segundo o INE, a seis meses do final do ano, as administrações públicas estão a apenas 770 milhões de ultrapassar o défice previsto para o ano todo.