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terça-feira, 31 de março de 2015

A culpa foi da santíssima trindade


Terminados os trabalhos da comissão de inquérito, estamos em condições de divulgar, em primeira mão, o relatório. Dadas as horas de trabalho da comissão a ouvir dezenas de depoimentos, à partida, esperar-se-ia um relatório complexo e volumoso, cuja escrita exigiria um batalhão de dactilógrafas semanas a fio. Nada mais errado. O texto integral do relatório é o seguinte: "Ninguém viu nada, ninguém ouviu nada, ninguém sabia de nada. A derrocada do grupo aconteceu por obra e graça do Espírito Santo. O Pai e o Filho também tiveram responsabilidades no colapso".

domingo, 9 de novembro de 2014

Mais uma vítima


O rolo compressor da resolução do BES não cessa de triturar tudo à sua passagem. Agora foi a vez de Manuel Pinho, ex-ministro da Economia do governo de José Sócrates. Manuel Pinho quando deixou o governo, na sequência de um famoso gesto que fez no parlamento a um deputado comunista, regressou ao BES. À data, Ricardo Salgado terá convidado Manuel Pinho para o lugar de vice-presidente da holding BES África de modo a que Pinho recebesse ordenado (39.000 euros por mês) até à reforma, que entretanto pedira. Abreviando, o Novo Banco tomou agora a decisão de "ajustar" as remunerações de todos os administradores das participadas do banco. No caso de Pinho, a redução é só de 37.000 euros! E ainda há quem se queixe dos cortes impostos pelo governo aos trabalhadores da administração pública! Este, sim, é um exemplo paradigmático de quem são os verdadeiros mártires das políticas de ajustamento que têm vigorado....

domingo, 19 de outubro de 2014

O senhor que se segue!


As ondas de choque da resolução do banco BES não param de atingir pessoas. O último caso é o de Carlos Queiroz, ex-seleccionador português, que, de acordo com as suas declarações, andou a trabalhar "para aquecer". Nas suas exactas palavras, "Pelos padrões de vida que tenho, são mais de quinze anos da minha reforma que desapareceram de um dia para o outro". O senhor que se segue!

sábado, 4 de outubro de 2014

Critérios de selecção


Pergunta - Qual o critério (ou critérios) para a escolha do governador do Banco de Portugal (BdP). Resposta - Ser cego, completamente cego, parece-me ser o principal critério de selecção. Digo isto porque, depois do caso BPN, não se compreende o caso BES (estes são, apenas e tão só, os mais mediáticos, mas os problemas da banca portuguesa eram mais ou menos gerais). Em abono da minha tese, ficamos recentemente a saber pela boca de Mário Draghi que foi graças ao BCE que o BdP percebeu os problemas do BES. Nas suas palavras, "O BCE disponibilizou à entidade supervisora [Banco de Portugal] melhores padrões, contribuiu para o esforço da troika para formular melhores critérios de análise e foi graças a esses melhores padrões que a autoridade supervisão portuguesa pode identificar os problemas no BES".

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Crónica de uma morte anunciada


Era uma vez um grupo financeiro que, aparentemente, transpirava saúde por todos os poros. Não tinha ido ao beija-mão da ajuda do Estado, nem gostava de ser confundido com os demais. Alicerçado numa reputação sólida de mais de cem anos, tinha renascido das cinzas após as nacionalizações de Março de 1975. Pacientemente, mas de forma inexorável, foi crescendo e desmultiplicando-se em holdings e empresas, com ligações entre si de tal modo complexas, que nem os próprios reguladores conseguiam controlar. Até ao dia em que houve uma denúncia e deixou de ser possível manter as aparências. A partir desse dia, começou a ficar claro para toda a gente que o gigante tinha pés de barro. Mas, mesmo assim, deixou-se arrastar a situação por demasiado tempo. Quando, finalmente, se desencadeou a tempestade, para muita gente, era demasiado tarde para arrepiar caminho. As perdas eram imensas, o dinheiro evaporava-se ao ritmo do próprio inferno. As autoridades, na tentativa de acalmar os ânimos, prometeram tudo e mais alguma coisa. Ninguém precisava de se preocupar com o seu dinheiro, ele estava devidamente salvaguardado, tinha passado para um banco novo. Quanto aos responsáveis pela tempestade, seriam devidamente julgados e punidos. Seriam, só que a justiça daquele país, para quem tivesse dinheiro, movia-se a passo de caracol e...

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Coincidência ou acto falhado?


Curiosamente (ou talvez não), a denominação que o Banco de Portugal anunciou no domingo passado como nova marca para os activos (bons) do BES já está registada pelo... BCP! A notícia, dada pelo Expresso online, refere que o pedido de registo da marca, no Instituto Nacional de Propriedade Industrial, foi apresentado em 1989, pelo BCP, e tem o número 259487 (ver aqui). Sendo certo que se pretende vender o banco a privados o mais rapidamente possível (ainda em 2014, assim os deuses e o mercado o permitam!), a escolha do nome da nova marca significa que o negócio já está apalavrado com o BCP?