sábado, 28 de fevereiro de 2015

Papel de embrulho


Não se sabe quanto terá sido, mas são muitos milhões de euros que foram investidos em papel comercial do BES que agora nem para papel de embrulho serve. Estou a falar das centenas (milhares?) de pessoas que, iludidas na sua boa fé, julgando estar a fazer depósitos a prazo, viram as poupanças de uma vida evaporarem-se como que por artes mágicas. Cada regulador, Banco de Portugal e Comissão de Valores Mobiliários, tentando sacudir a água do seu capote, atira a culpa para cima do outro. Houve burla, há burlados, mas dos burlões nem sombras. Como sempre, quem se lixou foi o mexilhão!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Candidato a candidato


Pedro Santana Lopes não agrada à actual direcção do PSD (nem à do CDS) como candidato da direita às próximas eleições presidenciais. Até aqui nada de novo. Como ele assumiu o papel de candidato a candidato, o PSD e o CDS precisavam de fazer qualquer coisa para o fazer arrepiar caminho. Que tal uma auditoria às contas da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa? Porreiro! Alguma coisa se há-de detectar para o obrigarmos a recuar. Dito e feito. Coincidência ou não, pouco depois de ter sabido da auditoria, Santana Lopes anunciou que adiava para Outubro a sua decisão relativamente às presidenciais.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Alto e pára o baile!


"Alto e pára o baile", parece ser o que a nossa Ministra das Finanças está a dizer. Segundo o Die Welt, a ministra portuguesa terá pedido ao Ministro das Finanças alemão para "se manter duro com a Grécia". Ainda de acordo com o referido orgão de comunicação social alemão, a Espanha terá juntado a voz a Portugal no pedido de que o acordo com a Grécia fosse endurecido. Estará ela a perfilar-se, desde já, ao cargo (futuro) de Ministro das Finanças da União Europeia? É que um tal discurso não poderia estar mais em sintonia com o pensamento alemão!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O verdadeiro dono


Ontem, o boneco retratava os líderes da coligação alemã no poder e apelidava-os de donos da Europa. Erro meu. O verdadeiro dono é o Ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble. Irredutível nas negociações com os gregos, exigiu tudo, não por razões económicas (está à vista de todos, a receita da austeridade não funciona), mas para mostrar quem manda. Tão lesto na palavra, quando se trata de defender os contribuintes alemães, "esquece-se" de uma verdade incontornável: Uma parte significativa do empréstimo à Grécia destinou-se a salvar a banca alemã. É isto que ele devia dizer aos contribuintes alemães e, já agora, quanto é que a Alemanha já ganhou com os empréstimos a Portugal e à Grécia. A Alemanha não pode esquecer que não basta fazer BMW e Mercedes, é preciso haver quem os compre. A continuar tudo como até aqui, a prazo, a Alemanha vai arrepender-se amargamente da política seguida.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento!


Agora que a vida corria bem ao Fernando, vieram os espanhóis estragar tudo. Então não é que o BPI, resolvidas as imparidades, cheio de saúde e a preparar-se para ir às compras, foi apanhado de surpresa pelos catalães do CaixaBank que resolveram lançar uma OPA sobre o banco. E, aparentemente, com os bolsos cheios, compram não só o BPI como também estão interessados na lista de compras do BPI! Diz o povo, e com razão, "De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento"!