Afinal a explicação era bem simples. Pedro Passos Coelho, enquanto deputado em exclusividade de funções, nunca recebeu qualquer salário da Tecnoforma. Recebeu sim despesas de representação, mediante a apresentação dos respectivos comprovativos de despesa, da ONG CPPP (Centro Português Para a Cooperação) de que era fundador e presidente. Perante uma tal explicação dada aos eleitos do povo, os portugueses ainda ficaram mais confusos. Se a resposta era tão simples, porque é que o primeiro-ministro não o fez assim que surgiram as primeiras notícias? Para responder a esta pergunta, fizemos uma grande sondagem a nível nacional. Os resultados estão expressos na imagem acima. Como se pode constatar, a grande maioria dos inquiridos inclina-se para uma explicação de tipo climatérico. O que nem sequer é inédito na política portuguesa. Como todos estarão lembrados, há largos meses atrás, Vítor Gaspar, à data ministro das Finanças, deu uma explicação idêntica para justificar a queda do investimento no primeiro trimestre de 2013. As suas exactas palavras foram: "Naturalmente é muito preocupante, sendo no entanto que o investimento no primeiro trimestre é adversamente afectado pelas condições meteorológicas no início do ano, que afectaram a actividade da construção".
terça-feira, 30 de setembro de 2014
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Rei morto, rei posto
António José Seguro, líder do PS e candidato a primeiro-ministro, "morreu" (pelo menos para já). Na sua declaração de derrota, Seguro felicitou o vencedor Dr. António Costa e não o camarada António Costa. Tirando este pequeno "pormaior", nada de diferente do esperado. À hora em que este texto está a ser escrito, ainda não há resultados definitivos, mas a vantagem de António Costa é esmagadora. Resta ver o que vale o novo "rei". Até hoje, ainda ninguém percebeu, inequivocamente, o que separa Costa de Seguro. No dia em que o PS chocar de frente com a realidade (e isso acontecerá mais dia menos dia), veremos se o PS de Costa é muito diferente do PS de Seguro ou se tudo não passa de uma questão de estilo.
domingo, 28 de setembro de 2014
sábado, 27 de setembro de 2014
Jangada de pedra
Para que é que a Escócia se queria tornar independente do Reino Unido? Para uma data de trabalhos e anos a comer o pão que o Diabo amassou, digo eu. Sair do Reino Unido significava deixar de pertencer à União Europeia e, muito provavelmente, todos os acordos e tratados internacionais de que o Reino Unido é signatário. Tinham de criar moeda própria (a adesão ao euro estaria fora de questão até a Escócia ser admitida na União Europeia). Já são "independentes" a nível desportivo e não só, então para quê? Não vislumbro nenhum argumento lógico, a não ser puro masoquismo. Ainda se pudessem separar-se da Inglaterra e vogar pelo Oceano Atlântico...
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Feito ao bife
O jornal Público avançou com uma possível explicação para o facto de Pedro Passos Coelho apenas ter declarado a exclusividade de funções como deputado no fim do mandato. Ele foi vice-presidente da bancada laranja na VII legislatura. Como tal tinha direito a um acréscimo de 15% não cumulável com qualquer outro benefício resultante da exclusividade de funções. Para além disso, sendo vice-presidente, nem sequer era obrigado a declarar a exclusividade para ter direito ao abono. Ora Passos Coelho sabia fazer contas e percebeu que 15% era mais do que 10%. Logo apenas declarou a exclusividade de funções no final da legislatura ao solicitar o subsídio de reintegração a que tinha direito por lei. Quando um político cai no radar da imprensa, das duas uma: (1) Ou "esvazia" as notícias desde logo, explicando clara e inequivocamente a situação ou (2) Refugia-se em meias palavras procurando ganhar tempo e, dessa forma, minimizar os "estragos". Passos Coelho optou pela segunda hipótese. Pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) que investigasse o assunto. Ao fazer isto continuou a ser "cozinhado em lume brando" à medida que a imprensa continuou a investigar e a divulgar novos documentos. Aliás, este pedido à PGR é absurdo. A ter havido ilicitudes da sua parte, elas já prescreveram. Logo o que está em causa não é a questão legal, mas sim a idoneidade e a seriedade do actual primeiro-ministro. E quanto a isso, parece estarmos conversados!
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
O algodão não engana
De acordo com a revista Sábado, o Ministério Público estará a investigar uma denúncia de recebimento ilegal, por Passos Coelho, de perto de 150 mil euros, entre 1997 e 1999. O valor em causa terá sido pago pela empresa Tecnoforma, quando o então deputado estava legalmente impedido de desenvolver qualquer actividade remunerada, por beneficiar do regime de exclusividade na Assembleia da República. O primeiro-ministro, através do seu gabinete, reagiu afirmando que "não foi contactado no âmbito de qualquer investigação". A confirmar-se a existência de tais pagamentos, Passos Coelho estaria perante dois problemas: (1) Não ter declarado esses rendimentos (como resulta das suas declarações ao Tribunal Constitucional), fugindo assim ao fisco, e (2) Ter violado o regime de exclusividade que o impedia de auferir tais rendimentos. Contactado pelo jornal PÚBLICO, o fundador e então principal accionista da Tecnoforma, Fernando Madeira, afirmou: “Estou convencido de que ele recebia qualquer coisa, mas não posso falar em valores porque não posso provar nada. (...) O senhor não foi para ali pelos meus lindos olhos". Bem vistas as coisas, afirmar não ter sido contactado no âmbito de qualquer investigação, como o fez o gabinete do primeiro-ministro, não é sinónimo de nunca ter recebido nada. Entretanto a Assembleia da República (AR) veio esclarecer que Pedro Passos Coelho, no período em causa, não beneficiava do regime de exclusividade de funções. Quando se pensava que o assunto estava arrumado, eis que surge uma revelação surpreendente. Em 1999, o actual primeiro-ministro requereu o subsídio de reintegração destinado a deputados em dedicação exclusiva. No requerimento Passos Coelho garante que "que desempenhou funções como deputado durante as VI e VII legislaturas, em regime de exclusividade". Em Maio de 2000, Almeida Santos concedeu a Passos Coelho o subsídio de reintegração reclamado, cerca de 60 mil euros, como consta dos arquivos oficiais da AR. Sendo assim, como é que a AR afirma, agora, que Passos Coelho nunca exerceu as funções de deputado em regime de exclusividade? Alguém está a mentir. Se houver dúvidas acerca de quem mente, a carta abaixo reproduzida, é como o algodão: Não engana!
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Somar alhos com bogalhos
Para um professor (catedrático) de Matemática e Estatística, somar alhos com bogalhos é um erro inqualificável. Vem isto a propósito do concurso de colocação de professores. A fórmula usada para a seriação dos candidatos estava a somar números com percentagens, originando erros grosseiros na ordenação dos professores. Mas o ministro é um homem de convicções (leia-se, mais teimoso do que uma mula). Só ao fim de alguns dias de protestos (e de explicações detalhadas de especialistas em Matemática) é que Nuno Crato admitiu o erro e pediu desculpas ao país. Como a culpa não podia morrer solteira, Nuno Crato aceitou a demissão do porteiro do ministério, perdão, do responsável da Direcção-Geral da Administração Escolar.
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